
domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 31 de outubro de 2009
Mentira
Existem varias coisas que eu não sei fazer ou faço muito mal. Eu não sei dançar, canto mal, e não tenho o menor talento na maioria dos esportes, mas uma coisa que eu não sei mesmo é mentir. Não estou dizendo que isso seja uma virtude minha, é que não sei mentir mesmo. Eu até gostaria de saber.Lembrei Platão quando falava de Odisseu e Aquiles com os seus amigos esquisitos.
Eles discutiam quem seria o melhor herói de Homero.
Então se não me engano Hípias afirma que Aquiles seria o melhor heroi, assim como Nestor seria o mais sábio e Odisseu no caso o mais multiforme.
Quando ele diz multiforme ele quer dizer mentiroso, visto que Odisseu usa da mentira como trunfo nas suas conquistas, enganando na maioria das vezes seus inimigos com esperteza, sendo assim menos nobre que Aquiles.
Platão chega à conclusão então que Odisseu, sendo capaz de mentir voluntariamente, por esperteza seria melhor e mais inteligente que os que são incapazes de mentir.
Fingir é fácil, sei lá, mas mentir é muito diferente.Você pode olhar em meus olhos e saberá muito bem quando estou mentindo mas não quando estou fingindo. Então, como tudo que eu não sei fazer direito eu prefiro nem fazer, menos no caso de cantar, dançar, tocar guitarra e jogar bola, o que acontece depois dos ensaios de domingo.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Animal favorito
Tempo é surreal.
Ele se arrasta e espira quando frita um ovo e a gema é um olho ciclope pronto pra devorar as horas.
Minha percepção do tempo é a ultima formiga do formigueiro, talvez a última guerreira da terra. O tempo é uma folha dez vezes maior, mais pesada e amarela que a própria formiga solitária e noite de outubro.
- Oi.
O tempo assume forma, quando ela chega devagar.
Leve como as folhas, pesada como o próprio ar.
Dez vezes maior que a timidez
Dez vezes mais solitária e dez vezes mais bela
Que a minha própria timidez amarela
Ou da dela de dizer “ola”
Doce e abençoada chuva de verão. Um alivio imediato, os olhos, doce chuva de verão.
- Ola.
O silencio é um buraco no tempo.
Um réptil, de escamas duras como as portas do inferno.
Se arrasta na escala dos segundos. Um silencio surreal.
- É melhor não se sentar ai... Formigas, elas estão em toda parte.
- Ai, eu vejo o formigueiro, mas não vejo formiga alguma.
- Acho que a ultima acabou de entrar... Dei a ela uma carona.
- Uma carona? Como assim?
- Ela carregava uma folha, dez vezes maior e mais pesada que a própria vida. A peguei na palma da mão, pensei, a vida pode ser dura, coloquei-a no formigueiro.
- Fez um bom trabalho.
Um pequeno esforço pra não rir.
Não tinha planejado aquilo, de modo que a conversa seguia um rumo cada vez mais estranho.
- Sabe, faz dois anos que pegamos o ônibus nesse mesmo ponto e nestes dois anos nunca falamos um com o outro. Quando nos falamos, falamos de formigas.
Ela riu.
- Pare para pensar um minuto, já pensou como deve ser um formigueiro por dentro?
- Nossa, eu fico imaginando como deve ser e... Quando chove eu fico pensando... Como elas fazem? A água não entra no formigueiro?
- Então... Já pensei nisso antes, é muito estranho e... Meu Deus! Ainda estamos falando de formigas.
Rimos.
- Lembro que quando estava na segunda serie, minha professora pediu para a classe escrever uma redação sobre animais. E que animal gostaríamos de ser.
- E qual você escolheu?
- Não me lembro.
Não sei por que disse aquilo... Nunca tinha feito tal redação.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
All my loving

Às vezes...
Como se algo de surpreendente acontecesse
A cada instante que ela toca.
Leio as mesmas frases cem vezes.
Às vezes...
Como se o sentido ali inerte expressasse
O mundo a minha volta.
Toco as mesmas musicas cem vezes
Às vezes...
Porque não sei tocar as outras
E gosto mesmo dessas que sei.
As pessoas passam
Olham
Sorriem
Muitas vezes nem reparam
Mas quando a musica se repete eu entendo
Que a lembrança é que vicia o desejo em mim desperto
A escutar tudo de novo.
Mesmo que a lembrança seja triste e provisória
A ilusão é doce e vale a pena ser vivida
Prefiro viver cem vezes.
Que viver uma vez na vida.
Cometo os mesmos erros às vezes
Cem vezes...
Dez jeitos diferentes
E sem arrependimentos.
Mas quem sabe um dia eu acerto.
As quatro ruas
Segunda Série, Nome: Iuri
Zé Matuta e as quatro ruas.
Tinha um bairro que tinha quatro ruas.
Lá mora um homem chamado Zé Matuta, um violinista chamado João, um lixeiro chamado Pedro.
Todos eram amigos.
Um dia uma rua ficou bloqueada.
Ele foi pela terceira rua encontrou Matuta, ele disse:
- A rua está bloqueada com um caminhão.
De repente apareceu João de moto e disse.
- Todas as quatro ruas estão bloqueadas.
- E agora?
-Vamos chamar o lixeiro.
- Lixeirooo!
O lixeiro veio e disse.
O que amigos?
Eles disseram:
- Você sabe um atalho sem ser as quatro ruas?
- Claro!
Eles foram para um beco sem saída.
O lixeiro disse:
- Aqui está.
Os amigos disseram:
- Eu só vejo uma lata de lixo.
O lixeiro disse.
- Esperem um pouco.
Ele cuspiu nas duas mãos e levantou a lata de lixo, e la atrás tinha uma saída e eles foram para o outro bairro.
E eles trabalharam para sempre.
